nº 018
29 de Julho de 2005

A Esfera Celeste e

as Constelações

 
Prof. Aristóteles Orsini *
 

Todos os astros do firmamento se apresentam como se estivessem situados na face interna de uma imensa esfera branca-azulada durante o dia, azul-negra durante a noite e que recebeu o nome de Esfera Celeste. A Terra parece ocupar o centro da Esfera Celeste, que é imaginária, mas que deve ser estudada por que facilita a descrição dos astros do firmamento sob o ponto de vista do observador terrestre.

Durante o dia, a luz do Sol, difundida pela atmosfera, ofusca a vista do observador, impedindo a visibilidade dos demais astros. À noite, contra o fundo azul-negro do firmamento, as estrelas e planetas se apresentam como pontos luminosos de maior ou menor brilho.

Os planetas refletindo a luz solar e apresentando dimensões aparentes sensíveis, brilham com luz fixa. As estrelas, ao contrário, possuem luz própria e não apresentam dimensões sensíveis. São por isso cintilantes. Por outro lado, os planetas são astros errantes, isto é, deslocam-se por entre as constelações. As estrelas, ao contrário, não parecem se deslocar umas em relação às outras. Guardam posições relativas aparentemente fixas, formando figuras imaginárias que foram chamadas de constelações.

Embora as constelações não tenham existência real, visto que as estrelas não ficam todas à mesma distância da Terra, sua descrição permanece nos compêndios de Astronomia, apenas como recordação histórica. A Esfera Celeste compreende 88 constelações. Algumas constelações recebem nomes de heróis lendários como Perseu, Andrômeda, Cassiopéia e outras mais. Algumas lembram animais realmente existentes ou mitológicos, como a Águia, o Leão, o Cisne, Pégaso, Capricórnio, etc.

Há também vários aparelhos e instrumentos que deram nomes às constelações, como a Balança, o Telescópío, o Microscópio, o Navio, a Bússola e o Compasso. Atualmente a Esfera Celeste é subdividida em áreas limitadas por arcos de círculos máximos, perpendiculares entre si, respeitando, mais ou menos, os contornos das antigas constelações. Por tradição, estas áreas conservam os mesmos nomes das respectivas constelações.

Em cada constelação, as estrelas mais brilhantes são representadas por uma letra do alfabeto grego, na ordem decrescente de brilho seguindo geralmente a ordem alfabética.

Exemplo: (alpha) Canis Majoris, isto é, alfa do Cão Maior, que é a conhecida estrela Sirius, a de maior brilho aparente do céu. As estrelas de menor brilho são representadas por letras do alfabeto latino ou por um número tirado de um catálogo de estrelas.

As estrelas de maior brilho aparente, 50 aproximadamente, possuem nomes próprios. Algumas possuem nomes gregos, outras latinos, havendo numerosas estrelas que ostentam nomes árabes. A estrela de maior brilho, da constelação do Cão Menor, é chamada Procyon, que significa o precursor do cão; mais tecnicamente, Procyon é denominada Canis Minoris. Castor e Pollux são as estrelas de maior brilho aparente da constelação dos Gêmeos e são chamadas, respectivamente, Alpha e Beta Geminorum, isto é, as estrêlas e ß da constelação dos Gêmeos.


* O Prof. Aristóteles Orsini (1910-1998) foi o primeiro diretor do Planetário e da Escola Municipal de Astrofísica de São Paulo, tendo dirigido estas instituições no período de 1957 a 1980.


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Produção e contatos

Irineu Gomes Varella

Astrônomo. Diretor do Planetário e Escola Municipal de Astrofísica de São Paulo, no período de 1980 a 2002.

Priscila D. C. F. de Oliveira

Coordenadora do Centro de Documentação Técnica e Científica em Astronomia do Planetário e E. M. de Astrofísica de S Paulo.

Ultima atualização: 29 de Julho de 2005
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