Circular Astronômica

Circular nº 015
URANOMETRIA NOVA
2004.ABR.18


Eclipse Total da Lua
04 de Maio de 2004 - 3ª feira - DJ 2.453.130,355

Irineu Gomes Varella
Priscila Di Cianni Ferraz de Oliveira


Os eclipses da Lua ocorrem toda vez que o nosso satélite penetra no cone de sombra projetado pela Terra no espaço. Estando, portanto, do lado oposto ao Sol, os eclipses lunares só podem ter lugar quando a Lua passa pela fase de cheia.



Iluminada pelo Sol, a Terra projeta no espaço dois cones: o de sombra e um de penumbra. Em seu movimento orbital ao redor da Terra, em certas ocasiões, a Lua penetra no cone de penumbra e temos o chamado eclipse penumbral, muito dificil de ser observado, uma vez que a atenuação do brilho lunar é quase imperceptível.

Em determinadas condições a Lua pode atravessar parcial ou totalmente o cone de sombra, ocorrendo aí, o ECLIPSE LUNAR propriamente dito.

No início da noite de 04 de maio poderemos observar ( se as condições meteorológicas permitirem ) as fases finais de um ECLIPSE TOTAL DA LUA, cujas etapas ocorrerão nos horários relacionados na tabela adiante. Os horários foram calculados pelo método clássico, com aumento de 2% no raio angular aparente da sombra e da penumbra e pelo método de Danjon introduzindo-se correções no valor da paralaxe lunar.


HORÁRIOS DAS OCORRÊNCIAS DAS DIVERSAS FASES

FASES
F
DATA
CLÁSSICO
DANJON
1.
Entrada da Lua na penumbra
P1
04.05.2004
14h 51m
-------
2.
Entrada da Lua na sombra
U1
04.05.2004
15h 48m
15h 51m
3.
Início do eclipse total
U2
04.05.2004
16h 52m
16h 54m
4.
Meio do eclipse
M
04.05.2004
17h 30m
17h 32m
5.
Fim do eclipse total
U3
04.05.2004
18h 08m
18h 10m
6.
Saida da Lua da sombra
U4
04.05.2004
19h 12m
19h 13m
7.
Saida da Lua da penumbra
P4
04.05.2004
20h 10m
-------

O diagrama seguinte representa um corte da região da penumbra e da sombra projetadas pela Terra, na posição correspondente à distância da Lua, ilustrando as diversas fases do fenômeno que poderá observado. A Lua permanecerá totalmente mergulhada na sombra da Terra ( intervalo U3-U2 ) durante 01 hora e 16 minutos, cerca de 30 minutos a menos do que a máxima duração possível para esse tipo de fenômeno que é de 1h 47min.


Embora sendo um astro iluminado pelo Sol e estando imersa na sombra da Terra, a Lua não se tornará invisível. É que uma pequena parte dos raios solares que atravessam a atmosfera terrestre sofre desvio ( refração ) e atinge o disco lunar permitindo sua percepção. As condições atmosféricas da Terra, no momento do eclipse, determinam a coloração da Lua no instante da totalidade. Em muitas ocasiões, a Lua se apresenta com uma coloração avermelhada e em outras muito escura, quando na atmosfera existem grandes quantidades de partículas geradas, principalmente, pelas erupções vulcânicas.

 

OUTRAS INFORMAÇÕES SOBRE O ECLIPSE

   
CLÁSSICO
DANJON
Duração do eclipse total
U3 - U2
01h 16m
01h 16m
Duração do eclipse pela sombra
U4 - U1
03h 24m
03h 22m
Duração total do eclipse
P4 - P1
05h 19m
 
Grandeza do eclipse pela sombra
g
1,309
1,303


 

A OBSERVAÇÃO DO ECLIPSE


O eclipse poderá ser observado a olho nu ou com o auxílio de binóculos, lunetas ou telescópios, uma vez que este fenômeno não traz quaisquer prejuízos à visão, ao contrário do que ocorre com os eclipses solares. O amador em astronomia que disponha de um pequeno instrumento para a observação poderá acompanhá-lo cronometrando os instantes das diversas fases, assim como a passagem da sombra pelas inúmeras crateras, mares e montanhas lunares.

O eclipse lunar do dia 04 de maio só poderá ser acompanhado em suas etapas finais, uma vez que a Lua já nasce eclipsada para os habitantes do Brasil ( em nenhum local do Brasil as fases P1 e U2 poderão ser observadas ). No instante correspondente ao meio do eclipse a Lua estará (aparentemente) muito próxima à estrela Alpha Libræ ( Zubenelgenubi ).

Na tabela abaixo estão relacionados os horários do nascer da Lua em algumas cidades brasileiras, o que permite prever o que poderá ser observado do eclipse. O horário do nascer da Lua em sua cidade, na data do eclipse, poderá ser obtido com os autores desta circular através do e-mail: uranometrianova@yahoo.com.br , bastando, para tanto, informar a latitude, a longitude e a altitude da localidade onde se encontra o observador.


CIDADE
NASCER DA LUA
CIDADE
NASCER DA LUA
São Paulo-SP
17h 34m
Rio de Janeiro-RJ
17h 21m
Belo Horizonte-MG
17h 28m
Recife-PE
17h 06m
Porto Alegre-RS
17h 43m
Brasília-DF
17h 50m


 

VISIBILIDADE NO BRASIL:

Como guia geral, para as capitais dos estados brasileiros, as informações adiante indicam quais as fases que poderão ser observadas:

1. Em Natal, João Pessoa, Recife, Maceió, Aracajú, Salvador, Fortaleza, Vitória, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, a Lua nasce eclipsada, isto é, após ter adentrado ao cone de sombra, porém antes de atingir o meio do eclipse. Nestas localidades poderão ser acompanhados os momentos que antecedem a M e as demais fases até o final do eclipse;

2. Para os observadores situados em São Paulo, Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre, Terezina e São Luis, a Lua também já nasce eclipsada, porém após já ter atingido o meio do eclipse. Poderão ser observadas as fases posteriores a M até P4;

3. Em Brasília, Goiânia, Manaus, Cuiabá, Campo Grande, Porto Velho, Macapá, Boa Vista, Belém e Palmas quando ocorrer o nascer da Lua ela já estará saindo da sombra da Terra. Só serão observáveis as etapas posteriores a U3;

4. Em Rio Branco e no extremo oeste do Amazonas só será possível observar a saída da Lua da penumbra ( etapa P4 ).


VISIBILIDADE NA AMÉRICA DO SUL:

1. Os observadores localizados no Uruguai acompanharão as etapas posteriores a M até P4.

2. Na Argentina, no Paraguai, no Chile, na Bolívia, na Guiana Francesa, no Suriname e na Guiana, só serão observáveis as etapas posteriores a U3;

3. Na Venezuela, Colômbia, Perú e Equador só será possível observar a saída da Lua da penumbra ( etapa P4 ).



IMPORTÂNCIA DOS ECLIPSES LUNARES


Do ponto de vista científico os eclipses lunares tem menor importância que os eclipses solares. Mesmo assim, as observações das diversas fases do eclipse lunar e a cronometragem dos instantes em que a sombra da Terra passa por algumas crateras lunares, permitem, pela comparação entre os instantes observados e os previstos, melhorar o nosso conhecimento sobre o movimento orbital da Lua, sobre o movimento de rotação da Terra e aprimorar os métodos de cálculo e as teorias de previsão dos eclipses.

Dois procedimentos são utilizados para o cálculo dos horários das diversas fases de um eclipse lunar: o chamado método clássico que considera os raios aparentes da sombra e da penumbra aumentados em 2% para dar conta dos efeitos da atmosfera terrestre e o método devido ao astrônomo francês André Danjon que utiliza um valor aumentado da paralaxe lunar para dar conta dos efeitos citados. No primeiro procedimento os tamanhos da sombra e da penumbra são aumentados na mesma proporção enquanto que no segundo método os aumentos são desiguais, o que provoca alteração nos instantes previstos pelos dois métodos. Uma observação cuidadosa do início e do fim de cada etapa permite acumular dados para que se possa decidir qual dos dois procedimentos oferece os melhores resultados no cálculo da previsão.

A observação da Lua na faixa do infra-vermelho, durante a entrada da Lua na sombra da Terra e no período em que ela se encontra mergulhada no interior do cone de sombra terrestre, oferece material científico para se estudar as variações das temperaturas na superfície da Lua à medida que nosso satélite é obscurecido.

Outro trabalho observacional interessante e ao alcance dos que possuem pequenos telescópios é a observação e cronometragem dos instantes em que a sombra da Terra passa por algumas crateras lunares. São necessários para isso, além de um pequeno telescópio ou um binóculo, um relógio aferido e um mapa da superfície lunar para que possam ser identificadas as crateras. A tabela adiante fornece os instantes previstos para a passagem da sombra terrestre em algumas crateras de grande tamanho. Os instantes foram calculados pelo astrônomo norte-americano Fred Espenak, da NASA.


PASSAGEM DA SOMBRA TERRESTRE EM ALGUMAS CRATERAS DA LUA
( Em 04 de maio, Tempo Legal do Fuso 3h Oeste )

IMERSÃO
CRATERA
EMERSÃO
CRATERA
15:52
Grimaldi
18:16
Grimaldi
15:57
Aristarchus
18:19
Billy
16:00
Billy
18:23
Campanus
16:00
Kepler
18:25
Tycho
16:07
Pytheas
18:29
Kepler
16:08
Copernicus
18:30
Aristarchus
16:11
Timocharis
18:37
Copernicus
16:13
Plato
18:39
Pytheas
16:13
Campanus
18:44
Timocharis
16:21
Aristoteles
18:49
Plato
16:22
Eudoxus
18:51
Manilius
16:22
Manilius
18:52
Dionysius
16:25
Tycho
18:55
Menelaus
16:25
Menelaus
18:57
Eudoxus
16:28
Dionysius
18:57
Aristoteles
16:29
Plinius
18:58
Plinius
16:38
Proclus
18:58
Goclenius
16:40
Taruntius
19:03
Langrenus
16:42
Goclenius
19:04
Taruntius
16:47
Langrenus
19:06
Proclus
                 

OS PRÓXIMOS ECLIPSES DA LUA

DATA * TIPO VISIBILIDADE NO BRASIL
01
2004.OUT.28 Total Visível em todo o território brasileiro.
02
2005.ABR.24 Penumbral Invisível no Brasil.
03
2005.OUT.17 Parcial Invisível no Brasil.
04
2006.MAR.14 Penumbral Observável em todo o território brasileiro.
05
2006.SET.07 Parcial Invisível no Brasil.
06
2007.MAR.03 Total A fase penumbral inicial será invisível no Brasil.
07
2007.AGO.28 Total Somente as fases iniciais serão visíveis no Brasil.
08
2008.FEV.21 Total Visível em todo o território brasileiro.
09
2008.AGO.16 Parcial Somente as fases finais serão visíveis no Brasil.
10
2009.FEV.09 Penumbral Invisível no Brasil.
11
2009.JUL.07 Penumbral Invisível no Brasil.
12
2009.AGO.06 Penumbral Observável em todo o território brasileiro.
13
2009.DEZ.31 Parcial Invisível no Brasil.
14
2010.JUN.26 Parcial Invisível no Brasil.
15
2010.DEZ.21 Total Somente as fases finais serão invisíveis no Brasil.

* As datas referem-se ao instante do meio do eclipse em tempo legal do fuso -3h (Hora de Brasília).