Histórias
da Astronomia
Produção: Irineu G. Varella & Priscila D.C.F. de Oliveira
Nº 001 - 01 de Novembro de 2003

 
ASTRONOMIA MEGALÍTICA: STONEHENGE
Priscila Di Cianni Ferraz de Oliveira *
 
Stonehenge é um dos mais conhecidos sítios megalíticos. Era um grande observatório astronômico, onde os antigos habitantes da Planície de Salisbury observavam os movimentos do Sol e da Lua. Durante o período denominado neolítico inferior ( ao redor de 4300 a.C. ) agricultores vindos do continente europeu, estabeleceram-se na Ilha da Grã-Bretanha, que compreende a Escócia, a Inglaterra e o País de Gales. Esses agricultores são chamados de "Povo Windmill Hill" e trouxeram consigo o trigo, o gado, os instrumentos de pederneira e osso e a cerâmica.
 
Fig. 1 - Vista geral do monumento megalítico de Stonehenge.
 

Aproximadamente em 4200 a.C. ( neolítico superior ), pequenos grupos vindos da França, estabeleceram-se na planície de Salisbury e é nesse período que se iniciam os trabalhos com megálitos e a construção da chamada primeira fase de Stonehenge. Pertencem a essa fase, os bancos, o Círculo Aubrey ( anel com 56 buracos ), as 4 estações ( Estações Monte 1 e 2 e Estações de Pedra 1 e 2 ), a série de buracos de postes no Causeway (calçada) do lado de fora da abertura e Heel Stone ( um menir grande também fora da estrutura principal ).

Cerca de 2500 a.C., um povo vindo possivelmente da Holanda e do Reno chega à Salisbury. Conhecidos como povo Beaker, iniciam a segunda fase de Stonehenge, chamada de "Conjunto Aubrey". O conjunto é composto da Avenue ( 2 bancos de cal afastados 14m entre si ), um crescente de pedras azuis e uma entrada de pedras azuis a nordeste alinhada com um grande vão oposto à sudoeste.

Em 1800 a.C., já na Idade do Bronze, período conhecido como o da cultura Wessex, Stonehenge, na sua terceira fase, adquire as características pelas quais é conhecido nos dias de hoje. Essa fase de Stonehenge começa com a destruição do círculo de pedras azuis e a construção de um anel de pedras sarcenas com cerca de 4,25m e 25t de peso encimadas por lintéis. Uma ferradura no interior do círculo sarceno composta por 5 trílitos com aproximadamente 7,30m, duas enormes pedras de um portão a meia distância entre o círculo sarceno e Heel Stone, uma ferradura de pedras azuis no interior da ferradura trílita e finalmente um círculo de pedras azuis entre o círculo sarceno e a ferradura trílita, completam o conjunto.

 
Fig. 2 - Diagrama representando as diversas estações de Stonehenge.
 

John Aubrey, o descobridor do círculo de 56 buracos da fase I, foi o primeiro a sugerir que Stonehenge era um templo druídico. Desde então, muitas lendas em torno de Stonehenge surgiram. Atribuíram a existência de rituais sangrentos e grandes encantamentos às pedras de Stonehenge. Imaginaram Merlin e Arthur caminhando pela grandiosa estrutura planejando como derrotar os saxões e etc. No entanto, essa informação não procede. Os celtas, povo ao qual pertencem os druidas, chegaram às Ilhas Britânicas em torno do sec. IV a.C. Arthur, se é que esse lendário rei de fato existiu, é ainda posterior (sec.V d.C.) e Stonehenge data, como vimos, de 4200 à 1800 a.C., portanto muito anterior aos celtas.

Embora nos faltem informações sobre os povos que construíram Stonehenge, análises cuidadosas feitas por arqueólogos e astrônomos comprovam que a sua função era a de uma grande observatório luni-solar. Os alinhamentos dos vários componentes marcavam ( em razão do movimento de precessão dos equinócios, alguns alinhamentos não marcam mais ) os pontos de solstícios, de equinócios e as declinações máximas e a mínimas da Lua.

Se esses povos fizeram uso dessas informações para efetuar rituais, com ou sem sacrifícios é um mistério. A idéia de que isso tenha ocorrido é baseada, principalmente, no fato comprovado que as civilizações antigas associavam os corpos celestes aos deuses e tentavam angariar a simpatia deles oferecendo vidas, alimentos etc, acreditando que para que o conjunto maior da sua estrutura social ( o gado, as plantações, a paz etc ) pudesse vicejar, algo importante deveria ser dado em troca, e assim, os deuses garantiriam que a ordem se sobrepujasse ao caos.

 

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Produção, autores e contatos

Irineu Gomes Varella

Astrônomo. Diretor do Planetário do Ibirapuera
e da Escola Municipal de Astrofísica
de São Paulo, no período de 1980 a 2002.

* Priscila D. C. F. de Oliveira

Coordenadora do Centro de Documentação Técnica e Científica em Astronomia do Planetário e
Escola Municipal de Astrofísica de S Paulo.

Web Designer: Irineu Gomes Varella
Ultima revisão: 18 de Julho de 2009

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